Herói Nacional - Capítulo 12

sexta-feira, junho 22, 2018




uma novela de
FELIPE ROCHA


CENA 01. MANSÃO DELLACOURT. ESCRITÓRIO. INTERIOR. NOITE
A tarde prestes a escurecer. A campainha toca. Téo abre e se assusta.
TÉO — Você?
Ele finge desmaiar.
MARILDA — Sim, eu mesma! Eu vim aqui para acertar as contas com você, Téo Dellacourt! Nós temos muito o que falar. E eu acredito que você vai ter que me ouvir.
Téo se levanta.
CORTA PARA:

CENA 02. CASA DE GUTO. INTERIOR. NOITE
Passou-se algum tempo, já é noite. Olímpia preocupada com Melissa, que não chegou ainda. Ela comenta com Guto.
OLÍMPIA — Mas cadê a Melissa que não chega?
GUTO — Deve estar estudando ainda.
OLÍMPIA — Ainda? São 7 horas da noite! Eu não tô gostando disso não, quase todo dia ela chega tarde em casa. Deve ter algum motivo. Ou será que ela foi assaltada? Ou está correndo perigo?
GUTO — Mãe, mãe. Ela deve estar dando um rolê por aí, sem sentimentalismo ok?
Em seguida, alguém bate na porta.
OLÍMPIA — Ah, meu Deus, deve ser seu pai Ricardo! Chegando da fábrica. Esses dias ela estava de recesso, né?
Olímpia abre a porta e se depara com Melissa e Lorenzo. Ela questiona.  
OLÍMPIA — O que significa isso?
CORTA PARA:
CENA 03. MANSÃO DELLACOURT. SALA. INT. NOITE
Na Mansão Dellacourt, Téo questiona Marilda.
TÉO — Como assim? O que você quer? Lembra do combinado? Você teria que ficar de bico calado!
MARILDA — Pois é, mas agora eu resolvi tomar uma atitude! Eu percebi que o que eu fiz era errado, me redimi.
TÉO — Ah... Agora você vem aqui, falando de uma tal redenção? O que fez tá feito! Não tem jeito de voltar atrás.
MARILDA — Tem jeito de voltar atrás sim... Ah, Téo Dellacourt, você não sabe, não sabe mesmo, só que eu, sei muita coisa de você.
TÉO — O que está querendo insinuar com isso?    
MARILDA — Eu sei de tudo o que você faz. Sei que é corrupto, que sua empresa faz lavagem de dinheiro, de tudo, de tudo! E se você não devolver meu filho eu posso contar tudo para a polícia. E você seria preso.
TÉO — Ah, mas você não teria coragem de fazer isso! Sabe bem o que pode acontecer, né?
MARILDA — Eu sei muito bem. Mas eu procuro ser honesta e sempre buscar a Justiça. Eu tenho coragem sim. O Luigi não é feliz com você, ele será feliz comigo, sempre! Você deveria ter vergonha.
TÉO — Ah, agora a mãe que abandonou o filho dizendo que eu não o sei criar. Aqui, ele tem uma mansão. A vida dele é muito feliz. Ele é rico! Nós somos ricos. E tudo que ele quiser eu posso dar! Eu banco o dinheiro! Ele pode ter uma quadra de basquete, vários celulares e computadores, diferente de você, que vive na miséria, na comunidade. Quem deveria ter vergonha é você, pobre maldita!
Marilda dá um tapa na cara dele.
MARILDA — Dinheiro não é felicidade! E eu tenho muito orgulho de ser pobre... muito orgulho! Eu pago as minhas contas, não fico devendo os outros. Graças à luz maior, aquele que me faz enfrentar um dia de cabeça erguida... o Luigi não é feliz não, ele é uma pessoa igual a mim, você nem dá atenção para ele, nem tem diálogo com ele. Isso eu posso provar! Eu sempre soube da boca do povo. Você só não passa de um inútil, que quer ficar rico da noite para o dia! Eu nunca vou desistir. Ou você entrega meu filho, ou eu brigo na Justiça e te coloco na cadeia, onde você passará pelo resto da sua vida, pagando pelos crimes que cometeu e comete até hoje.
Téo, furioso, tira uma arma do bolso e aponta sobre Marilda.
TÉO — Eu compro o teu silêncio! E aí, quem vai ter coragem de denunciar agora? (gargalhada maligna)

CORTA PARA:

CENA 04. CASA DE GUTO. INTERIOR. NOITE
Atenção Edição: Continuação da CENA 02 deste capítulo.
Olímpia pergunta quem é Lorenzo.
OLÍMPIA — Quem é esse minha filha?
MELISSA — Calma mãe. Eu posso explicar.
LORENZO — Não, deixe que eu explico.
OLÍMPIA — Entre, por favor.
Lorenzo e Melissa entram.
LORENZO — Primeiramente, eu não tenho nada com sua família, não sou namorado, nem nada. Eu sou somente a ajudei. Ela quase foi atropelada. Tadinha. Estava chorando no banco do calçadão. E eu resolvi trazer ela até aqui, ela foi me orientando. Era perigoso ela ir sozinha no escurecer da tarde, não conseguia prestar atenção na rua. E eu não sei o motivo do choro. Ela não me disse. Mas, de qualquer forma, eu vou indo...
OLÍMPIA — Sou muito agradecida. Por favor, meu rapaz. Diga o seu nome.
LORENZO — (misterioso) Um dia você descobrirá. Eu estou sempre na cidade!
Lorenzo vai embora. Olímpia estranha.
GUTO — Nossa, esse cara é muito misterioso, hein?
OLÍMPIA — Por um momento tive um medo. Mas eu acho que ainda existem pessoas boas, se não estou enganada. Agora, minha filha, você vai ter que completar o que ele disse. Por que estava chorando? Escute bem, está mentindo para mim?
CORTA PARA:   

CENA 04. MANSÃO DELLACOURT. SALA. INT. NOITE
Téo continua a apontar a arma para Marilda. Ela tem uma crise de gargalhadas.
MARILDA — Ah, fala sério né? Um homem como você desse tamanho! Vai querer me matar? Presta atenção, bebê! Não sabe se defender sozinho não?
TÉO — Eu acho melhor você não arriscar sozinha. Pode disparar um tiro e alguém sair ferido. Eu já disse, compro o teu silêncio. Você somente permanecerá calada como esses anos todos. Não falará nada dos meus esquemas na empresa, nem do meu depósito de dinheiro, ou eu matarei sua família toda. É simples, só isso!
MARILDA — Simples? Você acha que é tão simples assim? Você não manda em mim não! Eu quero meu filho.
TÉO — Eu acho que você não entendeu. Eu não vou devolver o Luigi. Ele é minha propriedade agora.
MARILDA — Seu, seu. Vagabundo!
Marilda atira um vaso sobre Téo. Ela parte para cima dele. Tenta pegar a arma. Os dois vão ao chão. Téo atira no teto. Os dois ainda disputam a arma. Ela distribui socos nele. Closes em Téo e Marilda, machucados. Marilda dá um soco nele e consegue pegar a arma. Ela o ameaça.
MARILDA — (ri) Achou que eu não seria capaz? Se prepare para subir as escadinhas. Para mim já deu!
Marilda atira. Momento tenso.
CORTA PARA:

CENA 05. CASA DE GUTO. INTERIOR. NOITE
Melissa explica a Olímpia.
MELISSA — Eu já disse mãe, não é nada! Somente foi um cisco que entrou no meu olho! Esse cara tava fazendo drama. Você acredita que ele teve a coragem de ir na farmácia e comprar um colírio para mim?
GUTO — Isso só pode ser brincadeira! Que cara idiota. Quem não te conhece que te compre!
OLÍMPIA — Melissa, eu te conheço. Foi nada de cisco! Eu exijo saber a verdade. Esse rapaz estava preocupado com você, deu para perceber nos olhos dele. Conte logo. Eu quero saber toda a versão da história. O que aconteceu?
EM seguida, Ricardo chega em casa.
RICARDO — Que caras são essas? O que aconteceu?      
Olímpia continuara a encarar Melissa.
CORTA PARA:

CENA 06. MANSÃO DELLACOURT. SALA. INT. NOITE
Atenção Edição: Continuação da cena 04 do capítulo anterior.
Marilda atirara. Porém, a bala passava sobre Téo, que caíra no chão novamente. Por fim, atingiria um quadro na parede e voltava sob Marilda, que abaixava, atingindo um vaso. Téo se levanta do chão e ri.
TÉO — Ah... pensou que era boa de mira, né? Sua fracassada.
MARILDA — Mas eu não tô entendendo.
TÉO — Pelo visto, a sorte jogou contra você.
MARILDA parte para cima de Téo e dá um soco no rosto dele e vários tapas seguidos. Ele cai no chão novamente.
MARILDA — Para você ficar esperto comigo! Eu posso ser mulher, mas eu não sou fraca, trouxa e não sou incapaz de me defender! Me orgulho de ser mulher, de ser batalhadora, pois eu tenho garra, força de vontade! Agora, tu fica esperto comigo! Eu voltarei algum dia e me decretarei vencedora. E levarei a arma comigo.
Marilda pega a arma e vai embora.
CORTA PARA:

CENA 07. CASA DE GUTO. INTERIOR. NOITE
Melissa explica para Olímpia o acontecido.
MELISSA — Tá, eu falo. A verdade é que... eu... eu... Eu estava namorando um síndrome de down, mas não se assustem, ele não fez nada comigo. Pelo contrário, foi a oportunidade de eu conhece-lo, mas ele era incrível. Diferente de qualquer criança, ele tinha muito amor para dar. Não era perigoso, nem agressivo, nem contagioso como as pessoas pensam. Mas era magnífico! Eu passei vários momentos com ele, juntos. Eu aprendi o verdadeiro valor da vida. Até que um dia, nós... (chora) É muito difícil lembrar desse dia... Nós estávamos sentados no banco da praça e um grupo de meninas se aproximou, fez fotos, e eu o defendi. Elas eram mau caráter, estavam humilhando ele. E hoje... Eu não aguentei. Eu parti para cima delas, joguei o celular no bueiro e... Ela disse que se eu não conseguisse o dinheiro em uma semana eu seria ameaçada de morte.
RICARDO — Olímpia, Olímpia pera aí! Eu não tô entendendo. Me diz se é isso mesmo que eu tô ouvindo.
CORTA PARA:

CENA 08. PONTO DE ÔNIBUS. INTERIOR. NOITE
Marilda dá sinal para o ônibus, que vem. Ela entra, paga a tarifa e senta com uma senhora ao seu lado. O motorista apaga as luzes. O ônibus segue em frente, porém, devido a algum crime, veem a polícia fazendo blitz. Os policiais ordenam que todos os carros que cruzarem aquela rua parem. Eles entram no ônibus e diz:
POLÍCIA — Por favor! Mas por problemas de sigilo, todos serão revistados.
Marilda desesperada, pensa:
MARILDA — Ah, meu Deus! Isso não pode estar acontecendo! Não mesmo.
CORTA PARA:

CENA 09. MANSÃO DELLACOURT. SALA. INTERIOR. NOITE
Manuela chega em casa e encontra Téo caído. Téo faz drama para que a filha perceba.
TÉO— Ah, meu Deus! Minha filha, graças a Deus você chegou. Eu já não aguentava mais. Minha coluna, ai, me ajuda aqui.
MANUELA — O que aconteceu pai?
TÉO — Fui assaltado minha filha, olha para você vê. Estou todo machucado, olha.
MANUELA — Assaltado? Só se você brigou com o espelho! Todas as coisas estão no lugares. O que aconteceu, realmente?
Téo desesperado.
CORTA PARA:

CENA 10. CASA DE GUTO. INTERIOR. NOITE      
Atenção Edição: Continuação da cena 07 deste capítulo.
GUTO — Cara, eu sabia. Você estava muito estranha mesmo. Já era de se esperar.
OLÍMPIA — Eu não consigo acreditar! Minha filha, olha o que você fez! Você poderia ser mal vista pelas pessoas na rua.
 MELISSA — Pois acreditem. E é verdade. Mas eu não tinha vergonha dele, e ele nem tinha vergonha de mim.
RICARDO — (chora, se sentindo mal) O quê? Meu Deus, meu Deus! Eu não aguento. É muita decepção para um pai como eu. Eu já estou velho! E você vem me trazendo essas notícias. Você é a maior decepção da minha vida. Eu nunca sabia que uma filha minha era capaz de fazer isso... Ah, meu Deus. Olímpia, Olímpia, me ajude. Eu acho que... Eu acho que... aiiiiii!
Ricardo sofre um infarto. Todos se desesperam. Momento triste.
CORTA PARA:
  FIM DO CAPÍTULO
       

 "Esta é uma obra coletiva de ficção baseada na livre criação artística sem compromisso com a realidade".

    


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