Redenção - Capítulo 06

segunda-feira, abril 30, 2018


REDENÇÃO - CAPÍTULO 06



“EXPLOSÃO”

CENA 1/ANTIGA CASA DE NORMA/TARDE

Norma aponta a arma para Marcela.

NORMA (apontando a arma para a irmã): E agora? Hein? Quem tá com a arma agora?

MARCELA: (debochando): Eu sei que você não vai fazer nada porque não é uma assassina!

NORMA: Tem certeza que não? Por você eu posso virar uma! – Destrava a arma, aperta o gatilho e dispara contra Marcela.

O tiro vai direto no braço esquerdo da vilã, que cai no chão com o impacto do tiro.

MARCELA (grita de dor): Desgraçada!

NORMA: Já viu que eu posso ser assassina, não viu? Vai duvidar de mim de novo, sua puta?

Norma se aproxima da vilã e aponta a arma pra cara dela.

NORMA: Como eu queria atirar nessa sua testa pra abrir um buraco bem grande. Sabe, apesar de tudo, eu sinto pena de você. Acho que nem vale a pena eu me esforçar pra apertar esse gatilho pra gastar mais uma bala, você não vale nem isso. Só quero que você saiba que eu vou sim reencontrar minha filha, você queira ou não. E escuta aqui! – (Se agacha e encara Marcela nos olhos). – Isso ainda não acabou, eu ainda vou dar o que você merece! – (Se levanta e começa a dar risada). – Ah, e pro seu governo, não fui puta de ninguém lá na prisão, ninguém me comeu, ao contrário de você, que aposto que já abre as pernas até pro primeiro cachorro que achar na rua, como uma cadela no cio! Passar bem, ou melhor: passar bem mal, sua vaca!

Norma sai do local. Marcela tenta estancar o sangue, mas não consegue. Ela pega o celular no bolso e liga para Ricardo.

MARCELA (chorando): Ricardo? Por favor, eu levei um tiro... Ai, tá doendo muito...

Marcela continua falando com Ricardo pelo celular.

CENA 2/COLÉGIO BOAVENTURA/EXTERIOR/TARDE

Lucas e Bruno correm para separar Hugo e Miguel da briga.

MIGUEL: Me solta, vou acabar com esse merdinha!

LUCAS: Calma, Miguel, porra!

Bruno levanta Hugo.

HUGO: Me solta! – Se solta dos braços de Bruno.

Hugo vai até Miguel com o rosto todo machucado e sujo de sangue.

HUGO: Isso não vai ficar assim, ouviu bem?

MIGUEL: Quer mais? Isso é pra você aprender a respeitar uma mulher, seu vacilão do caralho! Filho da puta!

Hugo olha para a multidão que se formou em volta.

HUGO: Vocês gravaram pra postar no Facebook depois, não é? Vão rir e zombar de mim, mas eu digo e repito: isso não vai ficar assim! Não vai! Mexeram com a pessoa errada!

Hugo vai embora.

Laís olha para Miguel.

LAÍS: Você é um idiota mesmo, Miguel!

MIGUEL: Mas por quê?

LAÍS: E ainda pergunta. É um imbecil mesmo.

Laís vai embora. Nina, Bruno e Lucas vão atrás.

CENA 3/JARDIM ORESTES/ANOITECENDO

Anoitece na região. Close na Pensão da dona Sandra.

CENA 4/PENSÃO DA DONA SANDRA/QUARTO DE NORMA/INTERIOR/NOITE

Norma está deitada em sua cama e olhando a fotografia de Laís. Alguém bate na porta. 
Norma se levanta imediatamente e vai atender. Ao abrir, ela se depara com Sandra, a dona da pensão, com um prato de comida e um suco nas mãos.

SANDRA: Trouxe comida e suco pra você.

NORMA: Não precisava me trazer.

SANDRA: Claro que precisava, você não veio jantar. E uma coisa que eu não gosto de deixar, é cliente meu morrer de fome, então coma!

NORMA: Tudo bem então, pode entrar. Coloca ali naquela mesa pra mim.

Sandra entra e coloca a comida e o suco na mesa.

SANDRA: Então, me conte sobre a sua história... O que te trouxe pra cá nesse fim de mundo?

NORMA: Minha casa onde eu morava foi demolida... Eu descobri isso hoje.

SANDRA: Poxa, que chato. Quem fez isso? A prefeitura?

NORMA: Não, foi a minha irmã. E como se não bastasse me colocou na cadeia por um crime que eu não cometi...

Sandra se assusta.

SANDRA: O que? Você foi presa? É ex-presidiária? Desculpa, mas esse tipo de gente eu não posso aceitar aqui na minha pensão.

NORMA: Eu fui presa, mas não cometi crime nenhum, minha própria irmã armou pra mim. É sério, eu não cometi crime algum.

SANDRA: O que a sua irmã fez?

NORMA: Matou meu ex-marido e jogou toda a culpa em cima de mim.

SANDRA (irônica): Isso que é irmã, hein!

NORMA: E como se não bastasse, tirou a minha filha de mim.

SANDRA: Sua filha tinha quantos anos na época?

NORMA: Só nove meses.

SANDRA: Nossa, me desculpa por não ter acreditado em você logo de início.

NORMA: Não se preocupa dona Sandra. Tava no seu total direito de desconfiar de mim. Agora minha única meta é reencontrar minha filha.

SANDRA: Mas você sabe onde encontrá-la?

NORMA: Ela mora aqui na Vila Madalena junto com a traidora da minha irmã.

SANDRA: Calma aí... Eu acho que eu posso te ajudar. Sua irmã é rica ou algo assim?

NORMA: Sim, ela se chama Marcela.

SANDRA: Marcela do quê?

NORMA: Marcela Dellatorre. Ela tinha o Silveira no nome, mas assim que se casou, colocou o sobrenome do marido.

SANDRA: Ah, é a Marcela... Por que não falou antes? Eu conheço, ela é bem famosinha aqui na Vila Madalena pelos vestidos que ela cria.

NORMA: Mas como você vai me ajudar?

SANDRA: Se a sua filha agora é bem rica mesmo, é capaz dela ter ido pra um colégio que eu conheço muito bem, que é particular e é o único na região! Minha amiga trabalha lá.

NORMA: Ótimo! Que colégio é?

SANDRA: Colégio Boaventura. Com toda a certeza sua filha estuda lá!

NORMA: E tem como esperar ela lá do lado de fora?

SANDRA: Melhor, eu posso até te colocar lá dentro. Mas me diga: como pretende reconhecê-la?

NORMA: Eu posso perguntar o nome dela pra algum aluno lá.

SANDRA (sorrindo): Perfeito! Amanhã mesmo a gente vai lá.

NORMA (sorrindo): Obrigada mesmo pela ajuda. Outra no seu lugar, aposto que não me ajudaria, ainda mais sabendo que eu sou uma ex-presidiária.

SANDRA: Dá pra ver nos seus olhos que você é uma pessoa boa, e eu também perdi minha filha há muitos anos.

NORMA: Nossa. Alguém roubou ela de você?

SANDRA: Não, minha única filha morreu nos meus braços após levar uma bala perdida no peito.

NORMA: Sandra, eu sinto muito.

SANDRA: Tudo bem. Mas chega de falar em coisas tristes! – (Sorrindo). - O que acha de ir no baile hoje?

NORMA: Baile?

SANDRA: Querida, você está numa favela. É baile funk, hoje em dia tem muito isso.

NORMA: Ótimo, eu preciso mesmo me divertir, dançar um pouco. Mas, e a comida?

SANDRA: Não se preocupa não, você pode esquentar lá no micro-ondas da cozinha a hora que você quiser! Vamos!

CENA 3/MANSÃO DOS DELLATORRE/SALA DE JANTAR/INTERIOR/NOITE

Marcela, Ricardo, Laís, Elvira e Joana estão jantando. Marcela está com parte do braço esquerdo enfaixado.

RICARDO: Quer ajuda pra comer?

MARCELA: Não precisa, eu consigo sozinha. Nossa, a violência nesse país tá demais!

LAÍS: Quase tive um surto quando soube que você levou um tiro.

MARCELA: Mas vai sarar e vou voltar ao normal. – (Olha para Ricardo e sorri). – Ainda bem que meu amorzinho me socorreu.

RICARDO: Pois é, entrei em desespero naquele momento.

MARCELA: Como foi no colégio hoje, filha?

LAÍS: Nada demais, só a mesma chatice de sempre. Ah, e amanhã vai ter reunião de pais e mestres.

MARCELA: Ricardo vai ter que ir.

RICARDO: Eu? Mas...

MARCELA: Mais nada! Você vai e ponto final.

LAÍS: É bom mesmo, porque a mamãe precisa descansar. Mas quem vai cuidar da empresa?

MARCELA: Merda! Então vai pra empresa, Ricardo, e eu vou pra essa maldita reunião. É muito melhor eu ir nessa reunião do que ir pra empresa, já que não posso movimentar meu braço.

RICARDO: Tudo bem.

ELVIRA: Joana, amanhã você pode me levar ao parque? Adoro ver os passarinhos... - Ela sorri.

JOANA (sorrindo): Claro que posso te levar. A senhora tem que sair um pouco e não ficar só trancada aqui.

MARCELA: E com permissão de quem você vai sair?

ELVIRA: Ora bolas, até isso não pode? Isso está ficando longe demais!

MARCELA: Não quero que você saia! Fique apenas aqui no jardim da mansão e ponto final! Aí sai daqui de casa, acaba sendo atropelada e morre, e vai dar trabalho pra quem? Pra mim! Não quero mais problemas pra minha vida.

ELVIRA: Perdi o apetite. Por favor, Joana, me leva pro meu quarto.

MARCELA: É melhor mesmo.

Joana empurra a cadeira de rodas de Elvira e a leva para o elevador da mansão.

LAÍS: Mãe, a vovó está certa. Não tá indo longe demais?

MARCELA: Cala a boca e come! Eu sei o que eu tô fazendo e não preciso que ninguém venha opinar!

LAÍS: Ok, desculpa. E, pai... Como vão os preparativos pra minha festa?

RICARDO: Já encomendei o Buffet, é o melhor da cidade!

LAÍS (sorrindo): Que bom. Nessa festa de 18 anos, eu quero diferenciar das minhas outras festas.

MARCELA: Como assim?

LAÍS: Todo mundo vai ter que usar máscaras.

MARCELA: Pra quê isso?

LAÍS: Sei lá, quero sair da mesmice de todo ano.

MARCELA: Fazer o quê, né! É sua festa, então usa o que você quiser.

LAÍS: Obrigada. – (Se levanta). – Sabia que você é a melhor mãe do mundo? – Beija Marcela no rosto.

MARCELA (sorrindo): Sim, eu sei que eu sou. Esse meu coração mole ainda vai acabar comigo.

CENA 4/JARDIM ORESTES/VILA MADALENA/BAILE FUNK/NOITE

Carro com o som alto tocando o funk “Baile de Favela”, do MC João.
Close em meninas dançando até o chão, jovens usando drogas e bebendo bebidas alcoólicas, meninas fazendo sexo com os traficantes no meio da rua. Foco em alguns traficantes completamente armados. No meio da multidão estão Sandra e Norma.

NORMA: Jesus, esse lugar é perigoso demais.

SANDRA: E é mesmo! Jovens usando drogas, tiroteio já teve aqui. Aqui também rola muito sexo.

Sandra vê um amigo.

SANDRA: Fica aqui, tá? Eu vou ali conversar com um amigo. – Vai até o amigo.

Norma vê Júnior chegando do trabalho e alguns traficantes o encurralando.

TRAFICANTE: Passa a fita aí, parceiro.

JÚNIOR: Que fita?

TRAFICANTE: O dinheiro que o teu filho tá devendo pra boca.

JÚNIOR: O quê? Meu filho devendo pra boca? Ele não usa essas coisas não.

TRAFICANTE: Caralho, se ele não usasse a gente taria aqui te cobrando? Tu não cuida do menor, dá nisso. Ele disse pra gente pegar o dinheiro com você.

JÚNIOR: Pode deixar que eu vou ter uma conversa com o Cláudio. Quanto que é?

TRAFICANTE: Cinquenta.

JÚNIOR: Cinquenta, vai roubar no inferno!

O traficante imediatamente coloca a arma na cabeça de Júnior, fazendo com que o boné dele caia no chão.

TRAFICANTE: Tá louco, porra? Quer morrer? Dá logo a merda do dinheiro, caralho!

Júnior abre a carteira, pega o dinheiro e dá para o traficante.

TRAFICANTE: Vai, circula!

Júnior vai embora. Norma vê o boné dele no chão e pega. Ela corre atrás de Júnior para entregar o boné a ele.

NORMA: Moço, o boné caiu. – Entrega para Júnior.

JÚNIOR: Obrigado.

NORMA: É sempre assim aqui?

JÚNIOR: Pra você ver... Nós moradores que nos fodemos mesmo. A polícia não faz nada.

NORMA: Que coisa... Eu sou nova aqui, acabei de chegar, tô morando ali na pensão da dona Sandra. Conhece?

JÚNIOR: Conheço, ela é muito amiga minha e da Renata.

NORMA: Nunca participei desses tipos de festa, ela me deixou sozinha aqui e foi conversar com um amigo.

JÚNIOR: Quer um conselho? Vai pra casa e dorme que vai ser muito melhor pra você. Desse tipo de festa só sai o que não presta.

NORMA: Acho que eu vou fazer isso mesmo. Primeira e última vez que eu venho.

JÚNIOR: Olha, eu vou ir pra casa, tô morrendo de cansaço, ainda tenho que resolver uns problemas com meu filho, meu trampo é pesado demais. Mas eu gostei de conversar com você. Qual é seu nome?

NORMA: É Norma.

JÚNIOR (cumprimenta): Prazer, eu sou o Júnior. Qualquer dia a gente conversa mais, já que moramos tão perto um do outro, tudo bem? Agora tenho que ir mesmo. Me desculpa por sair assim.

NORMA (sorrindo): Se preocupa não, pra mim você já é um amigo.

JÚNIOR: Tchau. Boa noite. – Vai para a casa.

NORMA: É, acho que eu vou pra casa também.

CENA 5/CASA DE JÚNIOR/QUARTO DE CLÁUDIO/INTERIOR/NOITE

Júnior termina de bater em Cláudio com um cinto, que chora.

JÚNIOR: Você ficou maluco, porra? Eu podia ter levado um tiro por sua culpa! – Dá mais algumas cintadas em Cláudio.

CLÁUDIO (chorando): Eu não comprei nada, ele empurrou a droga pra cima de mim! Eu juro.

JÚNIOR: É mentira! Como ele ia vir aqui me cobrar sendo que você não comprou? Cláudio, você tá usando essa porra? Após o primeiro uso dessa merda, ela te vicia, você não consegue mais parar, agora só com tratamento! Mas vou tentar de outro método... Ai meu Deus, no que eu errei, hein? No que eu errei? A partir de hoje você vai ficar de castigo, não quero ver você saindo mais de casa! Já que não vai pra escola mesmo e já perdeu o ano letivo, então vai ficar em casa trancado! Fora que eu quero você sem internet, sem TV, sem celular e sem videogame por um mês, e se reclamar vai pra dois meses! Se eu te pegar usando essa porcaria, vou te dar uma boa surra pra você aprender!

Júnior sai do quarto do filho e Cláudio chora.

CENA 6/MANSÃO DOS DELLATORRE/QUARTO DE MARCELA/INTERIOR/NOITE

Marcela e Ricardo conversam na cama.

RICARDO: Foi um péssimo plano esse de tentar matar a sua irmã. Eu avisei... Deixa a mulher viver em paz.

MARCELA: Deixar viver? Ela tá disposta a tirar a minha filha de mim! Criei tão bem essa menina, dei de tudo pra ela, pra depois ver ela longe de mim, com uma pobretona igual a Norma? A menina vai viver sem os luxos dela? O que vão falar de mim? Faça-me o favor, Ricardo!

RICARDO: E se ela casar um dia?

MARCELA: Ricardo, espaço aqui nessa casa é o que não falta. Pode vir morar marido, sogra, filho, o que for!

RICARDO: Tô pensando num presente aqui pra ela... Já sabe o que vai dar?

MARCELA: Já, mas é segredo.

RICARDO (sorrindo): Não é nenhum pinto de borracha, ou é?

Marcela, sorrindo, dá um tapa na cara de Ricardo.

MARCELA: Você me respeita. – Beija ele em seguida e fica em cima do homem.

RICARDO: Você acha que a Laís ainda é virgem?


MARCELA: Não sei, mas só sei que ela menstrua todo santo mês, e quando menstrua parece uma cachoeira, não para mais. Acho que ela sempre tem que dar uma de Moisés pra abrir o mar vermelho, porque puta que pariu... 


Os dois riem.

MARCELA: Também nem ligo se ela já trepou ou não! Com aqueles gatos do colégio dela, até eu dava sem reclamar. Adoro um novinho.

RICARDO: Isso é pedofilia. A maioria daqueles moleques tem 17 anos.

MARCELA: Tô nem aí, quero é me divertir.

RICARDO: Ei, não gosta mais de mim?

MARCELA: Claro que eu gosto, só que eu também quero um presente seu. – Sorri.

Trilha Sonora: Saga - Filipe Catto

RICARDO: Que presente?

Marcela olha pra cueca de Ricardo.

MARCELA (sorrindo): Um presente que está dentro da sua cueca.

Ricardo tira a cueca.

RICARDO (sorrindo): Esse presente? – Segura o pênis.

MARCELA: É esse mesmo.

Ricardo beija Marcela. Marcela tira a calcinha em cima de Ricardo, dando leves movimentos em cima dele.

Marcela pega o pênis de Ricardo e coloca em sua vagina. Os dois começam a transar.

CENA 7/JARDIM ORESTES/VILA MADALENA/PENSÃO DA DONA SANDRA/QUARTO DE SANDRA/INTERIOR/MANHÃ

Sandra está dormindo. Norma bate na porta e, em seguida, entra no quarto.

NORMA: Dona Sandra? – (Se aproxima dela). – Dona Sandra, acorda!

SANDRA: O que é?

NORMA: Lembra que você falou que ia no colégio comigo?

SANDRA: Calma, só mais um pouquinho.

NORMA: Mas já vai dar 9 horas...

Sandra imediatamente se desperta.

SANDRA: Tudo isso? O máximo que eu acordo é às 6 horas. Já se trocou?

NORMA: Sim, já.

SANDRA: Ótimo, vou tomar banho, tomar um cafezinho e fechar a recepção. Nossa, eu bebi um pouco a mais ontem no baile. Você veio pra casa?

NORMA: Vim, não aguentei ficar no meio daquela zoeira.

SANDRA: Você se acostuma. Bom, vou levantar logo antes que a gente se atrase ainda mais! – Se levanta da cama.

CENA 8/COLÉGIO BOAVENTURA/SALA DE AULA/INTERIOR/MANHÃ

Miguel vê no seu celular algumas das suas selfies que tirou do lado de fora do colégio.

Lucas e Bruno conversam.

LUCAS: Não acredito que a gente vai ter aula logo em dia de reunião. Sinceramente, essa escola já foi melhor.

BRUNO: Pois é, mas pelo menos vamos ficar só duas horinhas.

Close em Nina e Laís conversando.

NINA: Viu o Hugo, Laís?

LAÍS: Não, acho que ele não vem hoje, ainda mais com a cara toda inchada.

NINA: O Miguel deu uma surra bem dada nele.

LAÍS: Miguel é um trouxa, isso sim!

NINA: Ele pode ter seus defeitos, mas te defendeu.

LAÍS: Por que pobre tem que ser tão barraqueiro assim? Eu juro que eu não entendo! Mania de ficar entrando na briga dos outros. O cara era gato, agora com essa surra, virou um monstro. Miguel é um imbecil.

Mateus entra na sala.

LUCAS (sorrindo): O boiola do ano chegou!

Todos do grupinho riem, menos Bruno. Mateus senta na cadeira sem dar atenção à Lucas.

LUCAS: E é dessa maneira que ele senta em cima dos machos dele. – Ele ri.

Mateus se levanta e encara Lucas.

MATEUS: O que eu te fiz pra você me tratar assim, hein? Por que você não vai tomar naquele lugar onde você adora?

LUCAS: Olha só... A biba do ano mostrou suas garras. Imagina, eu não gosto de tomar naquele lugar, quem gosta é você, e muito pelo jeito...

Todos riem.

MATEUS: Gosto muito e não tenho vergonha de falar não! Sou gay com muito orgulho!

LUCAS: É uma aberração, isso sim.

MATEUS: Aberração é você! Homofóbico! Eu espero realmente que os seus filhos um dia se tornem gay.

LUCAS (sorrindo): Olha só, Nina.

NINA: Se liga, viado. Meus filhos nunca vão ser viadinhos não. Vão ter é que catar mulher, assim como o pai, bem macho! Se continuar desse jeito, não vai ter crianças nascendo, já que as crianças que estão nascendo, estão se tornando boiolas.

Lucas e Nina riem.

MATEUS: Tenho pena de vocês.

LUCAS: Vai fazer uma suruba com seus machos!

BRUNO: Para Lucas, já chega.

LUCAS: Você tá defendendo ele?

A professora entra na sala.

PROFESSORA: Quero todos sentados imediatamente!

Todos se sentam. Lucas olha para Mateus.

LUCAS (sorrindo): Ainda temos muito o quê conversar.

CENA 9/COLÉGIO BOAVENTURA/EXTERIOR/MANHÃ

Norma e Sandra descem do ônibus.

SANDRA: É aqui!

NORMA: Que escola enorme.

SANDRA: É de rico. – (Olha a placa avisando da reunião). – Hoje é reunião.

NORMA: Então acho que os alunos não vão estudar, perdemos a viagem.

SANDRA: Não custa nada dar uma olhada, vai que a gente vê ela... Ainda bem que o portão tá aberto.

Norma e Sandra entram no colégio junto de outros pais.

CENA 10/COLÉGIO BOAVENTURA/PÁTIO/INTERIOR/MANHÃ

Lucas e Bruno conversam.

Mateus entra no banheiro masculino e Lucas o observa.

LUCAS: Eu vou ali no banheiro e já volto. Se a Nina perguntar por mim, fala que eu só fui dar uma mijada.

BRUNO: Tá bom.

Lucas se afasta de Bruno e vai na direção do banheiro.

Sandra e Norma veem a multidão de alunos.

SANDRA: Falei pra você... Não custou nada a gente ter entrado. Uma dessas alunas pode ser sua filha.

NORMA: E agora? Como faz pra achar?

SANDRA: Sei lá, pergunta pra alguém.

Uma aluna passa perto de Sandra.

SANDRA: Ei, mocinha!

ALUNA: Oi.

SANDRA: Você poderia me dizer quem é Laura...? – Norma interrompe.

NORMA: É Laís...

SANDRA: É, ela deve ser bem famosinha aqui.

ALUNA: Sim, ela está ali no fundo.

NORMA: Onde?

ALUNA: É aquela menina que uma mulher tá abraçando, acho que é a mãe dela.

Norma olha para Laís.

NORMA: Ah, sim, eu vi. Muito obrigada.

Norma vai andando pela multidão de alunos e Sandra segue ela.

NORMA (emocionada): Minha filha é tão linda...

No banheiro masculino do colégio, Mateus lava suas mãos e seca. Lucas entra no banheiro e tranca a porta. Ele tira a chave da porta e se aproxima de Mateus.

MATEUS: O que você quer? Se veio pra me bater, me xingar, vai em frente, eu aguento.

LUCAS: Mateus, eu só vim pra te pedir uma coisa.

MATEUS: Fala logo.

LUCAS: Me perdoa?

MATEUS: Te perdoar? Ficou maluco? O que você faz comigo é imperdoável! Mas me responda: por que eu faria isso?

LUCAS: Por causa disso.

Lucas beija Mateus com vontade e a chave da porta do banheiro acaba caindo em um ralo. Mateus imediatamente se afasta de Lucas.

MATEUS: Você ficou maluco?

Close alternativo em Mateus e Lucas.

Do lado de fora do banheiro, Norma e Sandra quase se aproximam de Laís.

NORMA (grita): Laís!

Marcela olha para trás e vê Norma.

MARCELA (desesperada): Não pode ser...

SANDRA: Como tem certeza?

NORMA: É minha filha. É ela! Eu sei que é ela! Os olhos, a boca... – (Sorrindo). – Gente, é a minha filha e tá do lado da vaca! Vou gritar mais alto.

Do lado de fora do colégio, Hugo usa um controle de bomba.

HUGO: Me humilharam, zombaram de mim, mas isso não vai ficar assim! – (Aciona as dinamites). – Que todos morram! – Ele aperta o botão e a escola explode na cozinha e no andar de cima.

(A cena congela com um efeito amarelado, que aos poucos vai se despedaçando como um vidro, no colégio em chamas).


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