Más Intenções - 02x06
terça-feira, setembro 22, 2020
Capítulo
18
“A
Caladah da Noitchy”
Criação
Megan Clarke
Megan Clarke
Roteiro
Megan Clarke e Isabela Ágata
Megan Clarke e Isabela Ágata
Personagens
deste capítulo:
César –
Chay Suede
Carolina
– Gabz
Teresa
– Manoela Aliperti
Vicente
– Igor Fernandez
Denise
– Gabriella Mustafá
Felipe
– Sérgio Malheiros
Evódia
– Cláudia Raia
CENA
1 – MANSÃO ALBUQUERQUE/ QUARTO DO BEBÊ/ NOITE:
Continuação
da última cena do capítulo anterior: César levanta-se da poltrona ao ouvir o
choro de Cassiano e vai até o berço.
CÉSAR:
O que foi?
Ele
tira a fralda do bebê para checar se ele está sujo, mas constata que a fralda
continua seca. César então, põe ela de volta.
CÉSAR:
(tirando-o do berço) Vem cá meu amor. (olhando p/ ele) O que foi? Tá com fome? Hein?
O bebê
então volta a chorar, César coloca a mão em suas costas, fazendo-o deitar a
cabeça no seu ombro. No mesmo instante, o choro cessa.
CÉSAR:
(estranha) Ih... Parou...
Ele
tem uma estranha sensação.
CENA
2 – MANSÃO ALBUQUERQUE/ ÁREA DA PISCINA/ NOITE:
Horas
depois. César está encostado na sacada de vidro, observando o resto da cidade, bastante
luminosa ao longe. Está ventando frio, e Vicente está ao seu lado e na mesma
posição que ele.
CÉSAR:
Desculpa por não ter comparecido no jantar.
VICENTE:
Relaxa. Eu entendo. (sorri) Pelo menos você gostou da torta que eu trouxe.
CÉSAR:
Que bom que você já sabe que eu gosto de torta de frango.
Eles
dois riem.
César desfaz
o sorriso e mostra-se um pouco tenso.
VICENTE:
(olha para ele) Pode falar... O que foi?
CÉSAR:
(respira fundo e o encara) Eu sonhei com ela.
VICENTE:
Sério? E como foi?
CÉSAR:
Ela me disse... umas coisas estranhas.
VICENTE:
Tipo o quê?
CÉSAR:
Primeiro me falou pra seguir em frente.
VICENTE:
(expressão pensativa) É... ela foi sensata.
CÉSAR:
Foi estranho... mas ao mesmo tempo foi tão real que eu acordei achando que ela
ainda estava comigo no quarto. (T) Ela disse que ia sempre olhar por mim... e
pelo nosso filho.
VICENTE:
Vai ver que... foi apenas um sonho.
CÉSAR:
E se não for apenas um sonho?
VICENTE:
(solta um riso) Me desculpa César, mas o seu filho se foi. (T) Eu não acho
possível que ele possa estar vivo.
CÉSAR:
Eu acordei e o Cassiano estava chorando, você acha mesmo que esse sonho não foi
um sinal? (T) E se o hospital cometeu algum erro? Essas coisas acontecem. E se
o meu filho tiver vivo, por aí? Sendo criado por outra pessoa?
VICENTE:
Agora você acredita que o seu filho foi trocado por outro bebê?! (ri, cético) É
impossível.
CÉSAR:
Depois desse sonho pra mim nada é impossível.
VICENTE:
César... eu sei que a morte do seu filho é recente, só se passaram seis meses,
e você tá se apegando muito ao Cassiano, mas... é loucura você achar que o seu
filho foi trocado por outro e tá por aí, sendo criado em outra casa.
CÉSAR:
(reage) Olha, sinceramente, eu não vou continuar essa conversa. Se você não acredita,
o que eu posso fazer?
VICENTE:
Desculpa, eu não queria te irritar.
César
respira fundo.
CÉSAR:
Eu que tenho que pedir desculpa... Eu não costumo ser tão grosso assim... ainda
mais com alguém que eu gosto tanto.
VICENTE:
E você gosta tanto de mim assim é?
CÉSAR:
Você nem imagina o quanto.
VICENTE:
Olha... – pega na mão dele – Eu não acredito... nessas coisas de espíritos e
tudo mais, mas... se você acha mesmo que o seu filho não morreu... eu posso te
ajudar a investigar.
César
põe sua mão sobre a dele, e olha em seus olhos.
Trilha
Sonora:
CÉSAR:
Obrigado por estar aqui... faz eu me sentir menos sozinho.
Vicente
ri.
VICENTE:
Se você deixar eu vou estar sempre com você. (ri) Agora me abraça, porque eu tô
morrendo de frio aqui.
César então
aproxima-se dele e de surpresa, o beija. Vicente envolve seus dedos
delicadamente nos cabelos macios do outro, mostrando estar bastante à vontade, apesar do frio que estava fazendo. Estavam protegidos não só pelos
casacos que vestiam, como também um estava protegendo ao outro através daquele
abraço quente e acolhedor, selado pelo beijo calmo.
CENA
3 – CASA SIMPLES/ SALA/ NOITE:
Casa
simples com mobílias velhas, caindo aos pedaços. Felipe, que acabara de entrar,
joga sua mochila no chão, com o celular no ouvido. Alternar cena com Evódia
na cozinha da mansão Albuquerque.
EVÓDIA:
Você recebeu o dinheiro?
FELIPE:
Recebi sim, mãe.
EVÓDIA:
Eu pensei em você ficar por um bom tempo escondido até que tudo se esfrie. Sei
lá, mudar esse visual.
FELIPE:
A polícia já tá atrás de mim né?
EVÓDIA:
Sua cara já está estampada na televisão, Felipe.
FELIPE:
Droga...
EVÓDIA:
Olha, eu vou precisar desligar. Mas por favor, toma cuidado. Eu não vou poder
te ajudar o tempo todo.
FELIPE:
Fica fria, mãe. Eu vou me cuidar.
Ele
desliga e vai tirar suas coisas da mochila, quando seu celular toca novamente. Felipe
atende.
FELIPE:
Alô?
CENA
4 – MANSÃO BOAVENTURA/ SALA DE ESTAR/ NOITE:
O foco
é em Teresa sentada no sofá com o telefone fixo no ouvido.
TERESA:
Sou eu. Tô ligando pra saber como você tá.
FELIPE:
Eu tô tranquilo, acabei de chegar na minha casa nova. (T) Você não tá com raiva
de mim por causa do que estão falando na tevê, está?
TERESA:
Claro que não. Até porquê poderia ser outra pessoa parecida com você. O jornalismo
de hoje em dia é muito sensacionalista, adora criar um burburinho em troca de
migalhas de atenção. Não precisa se preocupar, eu acredito em você, sei que
você não tem nada a ver com a morte do meu pai.
FELIPE:
(sorri) Que bom. Eu fico muito feliz de ouvir isso, ainda mais de você. É bom
saber que você está do meu lado. (T) Eu gosto tanto de você, Teresa, você nem
imagina.
TERESA:
Eu sei. (T) Eu vou precisar desligar agora. Vê se você se cuida... deixa a
porta trancada. Toma cuidado. Tá?
FELIPE:
Pode deixar... beijo.
TERESA:
Outro!
Ela
coloca o telefone no gancho. Em seguida olha pra alguns homens da polícia em pé
na sua frente, com alguns equipamentos de rastreamento.
TERESA:
(p/ele) Pronto. Acho que agora vocês já devem saber a localização desse indivíduo.
O
delegado se aproxima dela.
DELEGADO:
Sabemos, graças a você que colaborou conosco.
Ela dá
um leve sorriso.
TERESA:
Eu só quero que a justiça seja feita e que esse desgraçado apodreça na cadeia
junto com o assassino do Rodolfo.
DELEGADO:
Não se preocupe. (pros outros) Vamos embora, vamos atrás dele.
Os investigadores
e policiais pegam os equipamentos e vão saindo da mansão. O delegado
aproxima-se de Teresa e a cumprimenta com um aperto de mão.
DELEGADO:
Mais uma vez, muito obrigado.
TERESA:
Disponha!
CENA
5 – MANSÃO DE AMANDA/ SALA DE ESTAR/ NOITE:
Carolina
está sentada no sofá com uma taça de vinho na mão enquanto conversa com Denise,
que está levemente bêbada. Ambas com seus celulares na mão.
DENISE:
O Vicente... ele sempre foi assim. Desde que a gente era criança. (acende um
cigarro e começa a fumar) Ele sempre fez o que queria, na hora que queria e
sempre conseguiu o que queria. (T) Você vê agora, ele saiu daqui pra se
encontrar com o César só porque ele não veio.
CAROLINA:
Eles estão bem amiguinhos né?
DENISE:
Amiguinhos? (gargalha) Acorda, meu amor. O Vicente é tá afim do César. O Vicente...
(dá um trago) eu acho que se ele pegar o César de vez, ele faz o pau dele de
trampolim. (T) Bom... eu só espero que o Vicente não se decepcione com ele como
foi com o Rodolfo, porque é capaz daquela poc entrar num estado catatônico até
o fim dos dias dele.
CAROLINA:
Aposto que não. O César é diferente do Rodolfo. Mas eu acho que ele é hétero.
DENISE:
Não existe hétero, amor. Todo mundo no fundo gosta de tudo. (toma um gole do
vinho) Aliás... – ela coloca mais vinho na sua taça – eu aposto um milhão de
euros como eles dois não estão agora no maior amasso naquele sofá. Quem me
dera... Se eu não gostasse de buceta o Vicente tava era fudido, porque eu seria
a primeira a pegar aquele homem pra mim.
CAROLINA:
(ri) Bem que você falou que todo mundo gosta de tudo.
DENISE:
Não se engane, eu não gosto de homem. Minha tia contou uma vez que quando minha
mãe tava grávida de mim ela vivia falando que homem não prestava, acho que foi
por isso que eu já nasci lésbica.
Carolina
desvia seu olhar pro celular e digita uma mensagem. Denise dá mais um trago no
cigarro, quando seu celular apita. Ela pega e vê que uma mensagem chegou. Digita.
Carolina arruma seus cabelos e tira uma selfie, sendo encarada por Denise, que
estranha. Carolina envia a foto. No mesmo instante, Denise recebe uma mensagem
e fica chocada. Alterna seus olhares entre a tela do celular e Carolina.
DENISE:
(chocada) Gente... Então você é a tal Carol?
CAROLINA:
(sem entender) O quê? – ela pega o celular de Denise e olha – Não acredito.
(olha p/ ela) “XXT”?
As
duas se entreolham, abismadas.
CENA
6 – CASA SIMPLES/ SALA/ NOITE:
Felipe
acaba de sair do banheiro, com uma toalha enrolada na cintura. Batidas fortes
na porta. Ele fica paralisado, com uma expressão apavorada no rosto. Mais
batidas na porta. Felipe põe as mãos na cabeça, olhando pra todos os lados, sem
saber o que fazer. Ele respira fundo, tentando se acalmar.
FELIPE:
(fala para si mesmo) Não deve ser nada... (T) Não deve ser nada.
Ele destranca
a porta e abre, levando um susto ao ver o delegado e outros policiais entrando na
residência.
DELEGADO:
Felipe Cavalcante... (T) É bom o senhor vestir uma roupa. Porque você vai nos
acompanhar agora.
FELIPE:
(nervoso) Eu? Pô, peraí seu delegado, eu não fiz nada.
DELEGADO:
Não é isso o que dizem as provas que te incriminam pelo o assassinato de
Genésio Boaventura.
FELIPE:
(nervoso) Peraí delegado, eu sou inocente, o senhor tá me confundindo.
DELEGADO:
(para os policiais) Peguem esse cara.
FELIPE:
(se desespera) Não, por favor. (os policiais recuam) Tudo bem. Eu só preciso me
vestir. E eu vou com vocês pra onde vocês quiserem.
Ele
vai pegando suas coisas e indo pra outro cômodo.
DELEGADO:
Aonde pensa que vai?
Felipe
volta-se.
DELEGADO:
Vai se trocar aqui mesmo.
Meio
relutante, Felipe tira a toalha, ficando nú na frente dos policiais, que
começam a assobiar.
DELEGADO:
(repreendendo-os) Ei, opa. Quê isso? Eu hein.
CENA
7 – MANSÃO DE AMANDA/ SALA DE ESTAR/ NOITE:
Denise
e Carolina abraçadas no sofá da sala, as duas aos beijos. Denise está
completamente bêbada.
DENISE:
(ri) Cara. Jamais poderia imaginar que a Carol... era Carolina. – ela começa a
rir descontrolada – Carol... de Carolina. – E gargalha – (tenta se conter) Não,
sério. Eu tenho, tinha que ser muito burra pra não ter sacado.
CAROLINA:
“xxt”... quem diria hein.
DENISE:
Ai amor, criatividade latente. Eu respiro criatividade. Sou uma mulher
criativa, empoderada... – pensativa, parece esquecer-se de algo – eu sou... (olha
p/ ela) O quê que eu sou mais? (T) Lembrei. Empoderada, criativa... (T) Enfim...
enfim... me embaralhorei toda aqui agora.
CAROLINA:
Você tá é bêbada, isso sim... Não quer subir pra descansar?
DENISE:
Não, eu tô é ótima. Tô me sentindo maravilhosa, plena... criativa... empoderada...
(T) Empoderada e criativa/
CAROLINA:
Já sei! Você já falou tudo isso.
Denise
começa a gargalhar escandalosamente, Carolina ri junto com ela.
DENISE:
Que loucura. Como eu poderia imaginar que Carol... (ri) era de Carolina. (rindo)
Entendeu? Carol... de Carolina. (T) Como? Você ainda é irmã do César, que é
irmão da Tere/... (se interrompe, chocada) Gente... você é irmã da Teresa
também...
CAROLINA:
Vocês duas são amigas?
DENISE:
É, a gente é amiga, muito amiga, daquelas do peito, sabe? De alma... É... (T) A
gente pode contar uma com a outra, sempre. Eu com ela, ela comigo... (T) Mas a
Teresa é muito louca...
CAROLINA:
Louca?
DENISE:
Louca, demais. (T) Olha, eu não sei. Não sei como é a relação de vocês com ela,
mas ela é louca. Muito louca. Loucona. (T) Uma vez... – começa a rir – Uma vez
ela me pediu uma coisa... Porque você sabe né? Eu não recuso dinheiro. (T) Ela
me pagou... pra fazer um negócio pra ela.
CAROLINA:
(surpresa) Ela te pagou?
DENISE:
Pagou. E pagou bem.
CAROLINA:
E o que você fez pra ela?
Denise
olha pra todos os lados pra ver se alguém está ouvindo.
DENISE:
(sussurra) Não conta pra ninguém... que é segredo... (T) A Teresa pediu... pra
eu desenroscar o carro da irmã dela.
Carolina
arregala os olhos, chocada.
CAROLINA:
(em choque) O quê?
DENISE:
A irmã dela... A tal da morta-viva... (T) Ela tá morta-viva... por causa da
Teresa.
Carolina
fica chocada, mas não surpresa.
(Continua...)
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